As propostas dos seis principais candidatos, retiradas dos planos oficiais registrados no TSE e apresentadas sem nome, sem partido e sem número. Cada tema começa pelos números de como o país está e de como chegou até aqui. Você avalia o conteúdo. O autor aparece só no fim — junto com onde você está nas ideias, pelo que você pensa, e não por quem você apoia.
Antes de ler qualquer proposta, registre onde você está agora. Isso fica guardado só no seu navegador e reaparece no fim, ao lado do resultado.
Sem esta etapa o exercício perde a graça: a gente é muito bom em concluir, depois do resultado, que sempre pensou aquilo.
Os 13 candidatos registrados, na ordem do número na urna.
Na primeira coluna, o que mais pesa para você. Na segunda, o que vem logo atrás. Os temas ligados a elas ganham um selo no teste, e no fim o placar é refeito só com eles.
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Nada lacrado ainda.
Aqui não tem candidato nem proposta: são pares de frases opostas sobre economia, costumes, segurança e as regras da democracia. Em cada par, marque de que lado você fica e com que força. Se ficar dividido, marque o meio.
No fim, junto com a revelação, a página mostra onde você está nas ideias — mais à esquerda, ao centro ou mais à direita, em cada assunto separadamente — a partir do que você pensa, e não de quem você apoia. O resultado fica lacrado até lá: saber agora "de que lado você é" contaminaria o teste das propostas.
Por que pares de frases. Quando a pergunta é "concorda ou discorda?", muita gente tende a concordar com o que lê. Com duas frases opostas lado a lado, esse efeito desaparece, e em cada assunto a frase de cada lado aparece primeiro em metade das vezes.
O que define esquerda e direita. O critério mais usado vem do filósofo Norberto Bobbio (Direita e Esquerda, 1994): a esquerda tende a ver as desigualdades como produto da sociedade, que dá e deve ser reduzido; a direita tende a vê-las como mais naturais, ou a dar prioridade a outros valores, como liberdade econômica, ordem e tradição. Na prática, os estudos separam pelo menos dois eixos, porque uma pessoa pode estar de um lado na economia e do outro nos costumes. Aqui são três: economia, costumes e valores, segurança e justiça.
Radical não é a mesma coisa que convicto. Estar longe do centro é ter convicção. O que a ciência política chama de radical é outra coisa: aceitar romper as regras da democracia para fazer valer a própria posição. Por isso as últimas frases, sobre as regras do jogo, são medidas à parte e não entram na conta de esquerda e direita. Elas seguem os sinais de alerta descritos por Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (Como as democracias morrem, 2018) e foram escritas para testar a tentação dos dois lados.
A régua de fora. 16 dos pares são, palavra por palavra, os da matriz ideológica do Datafolha, aplicada em 2013, 2014, 2017, 2022 e em junho de 2026, com 2.004 eleitores. Com eles, o resultado mostra onde você cairia na régua do próprio instituto — com a regra de pontos que ele publica — e quantos eleitores estão no mesmo grupo. Esses pares vêm marcados como "frase do Datafolha". Os outros cobrem temas que a matriz não pergunta, como aborto, escola, cotas e polícia.
O que os estudos dizem, e onde discordam. Desde Philip Converse (1964), pesquisas mostram que a maioria das pessoas não tem posições "em pacote": escolhe tema a tema. No Brasil, André Singer (Esquerda e direita no eleitorado brasileiro, 1999) encontrou eleitores que se situam na escala e votam de acordo com ela; Oliveira e Turgeon (2015), com dados do Estudo Eleitoral Brasileiro, concluíram que o rótulo pouco organiza as opiniões sobre cada tema. Fuks e Marques (2022) mediram que a polarização cresceu no país, mas é sobretudo afetiva — antipatia pelo outro lado mais do que distância de ideias —, o mesmo fenômeno que Iyengar, Sood e Lelkes (2012) descreveram nos Estados Unidos. Esta etapa existe por causa disso: para você comparar ideia com ideia, e não torcida com torcida.
As frases e os números do Brasil. No resultado aparece, ao lado de cada frase, como os eleitores responderam em pesquisa nacional publicada, com a fonte. Nenhuma resposta sua sai deste navegador. A classificação de cada frase como "mais esquerda" ou "mais direita" é minha e segue o uso corrente nos estudos; a lista completa aparece no resultado, para você conferir.
Nenhuma frase respondida.
Onze temas, e cada um em duas partes. Primeiro o retrato: como aquele assunto está hoje e como chegou até aqui, em séries longas que atravessam vários governos. Depois as propostas: as seis, em ordem sorteada, identificadas apenas por número. Marque Concordo, Indiferente ou Discordo.
A ordem importa. Ler a proposta sabendo onde o problema está é outra leitura — a pergunta deixa de ser "gostei?" e passa a ser "isso resolve o que o gráfico mostra?".
Uma combinação que vale fazer antes de começar, se o grupo for responder junto: quem achar que identificou o autor guarda para si. Se virar jogo de adivinhação, acabou o teste.
Como as propostas foram escolhidas — porque essa é a parte que decide o resultado, e você tem todo direito de conferir.
De cada plano, em cada tema, foi extraída a medida que o próprio documento coloca em posição de destaque no capítulo correspondente: título de seção ou primeiro item da lista de propostas. Uma por plano, por tema — seis por tema, 60 no total, distribuição idêntica entre os candidatos.
Os temas cobrem os eixos em que os planos mais divergem, mais um em que eles convergem quase inteiramente, incluído de propósito. A condensação para duas ou três linhas é editorial e é minha; o PDF original de cada plano está no pacote para quem quiser checar se resumi direito. Foram removidas apenas as marcas que identificam o autor: nomes, partidos, estados de origem, referências ao próprio mandato e nomes de batismo dos programas.
Sobre o bloco "Na prática". Plano de governo é escrito em língua de gabinete: "desindexar do salário mínimo", "negociado sobre o legislado", "competência originária". Abaixo de cada proposta há uma explicação em linguagem comum do que a medida faz e de quem ela atinge. Ela é minha, não do candidato, e tentei mantê-la como explicação e não como opinião: descreve o mecanismo, não diz se é bom ou ruim. Se alguma dessas explicações te parecer puxando para algum lado, me avise — é exatamente o tipo de coisa que derruba a validade do teste inteiro.
Como os números foram escolhidos. Em cada tema, o indicador que a própria fonte oficial trata como principal para o assunto, na série mais longa disponível sem troca de método — onde a série muda de método ou de pesquisa, o gráfico avisa. Os dados vêm direto do Banco Central, IBGE, Tesouro, Inep, INPE e de bases internacionais (Banco Mundial, OCDE, Transparência Internacional). Os mais recentes são de 2025 ou 2026; o gráfico diz até quando vai cada série.
Sobre as faixas no fundo dos gráficos. Elas mostram quem governava em cada período, para localizar no tempo — não para dar nota a governo. Indicador reage com atraso, depende de Congresso, de estados e de choques de fora (a crise de 2008, a recessão de 2015–16, a pandemia), e quase nenhum depende só do presidente. O texto embaixo de cada gráfico descreve o que a linha faz e não diz de quem é o mérito ou a culpa. Se algum te parecer puxando para um lado, vale o mesmo aviso de cima.
Os temas 9, sobre apostas on-line, e 11, sobre supersalários e penduricalhos, seguem regra diferente, explicada ali mesmo, antes dos cartões: como quase nenhum plano tem capítulo próprio para eles, foi reunido tudo o que cada documento diz, em qualquer parte. Onde o plano não diz nada, isso aparece como está, em vez de ser escondido. Mas atenção ao calendário: os documentos foram protocolados até 15 de agosto, e vários temas quentes desta campanha só estouraram depois. O teste mede o que foi registrado, não o que anda sendo dito em comício.
Antes de abrir as tarjas, três números grandes que não cabem em nenhum tema do teste mas pesam em quase todos. Nenhuma proposta que você avaliou foi escolhida por tratar deles.
O conjunto de propostas que você acabou de escolher dá conta disto?
| Indicador | Situação | Por que pesa |
|---|---|---|
| Taxa de investimento da economia | 16,5% do PIB · 2026 | Abaixo de 20% há 12 anos. Sem investimento, crescimento alto e duradouro fica difícil de sustentar. |
| Brasileiros sem coleta de esgoto | mais de 90 milhões | Quase metade da população. A lei fixa atender 90% até 2033. |
| População com 60 anos ou mais | 15,6% (2023) → 37,8% (2070) | Pressiona previdência, saúde e as contas públicas ao mesmo tempo. A população para de crescer em 2041. |
Fontes: IBGE (Contas Nacionais e projeções de população), SNIS/Trata Brasil. Detalhe e links no relatório de indicadores.
Aqui as tarjas levantam. O placar soma +1 para cada Concordo e −1 para cada Discordo, em onze temas — então vai de −11 a +11. Nos temas das apostas e dos supersalários, onde o plano se cala, só existe 0 ou −1: ninguém ganha ponto por silêncio.
Só abra depois de responder. Uma vez aberto, não tem como desver.
Depois do placar, as próximas páginas mostram onde você está nas ideias, comparam tudo lado a lado já com os nomes e trazem três perguntas para pensar e o seu resultado pronto para levar à conversa — ou seja, dá para fazer o exercício inteiro sozinho.
Suas ideias, sem nome nenhum
Comparar lado a lado
Escolha um tema para ver as seis propostas uma embaixo da outra, cada uma com o autor e a sua resposta. Ou escolha um candidato para ver as onze propostas dele juntas — o plano inteiro numa tela.
Para pensar sozinho
Não tem resposta certa. Escrever, mesmo que em uma linha, ajuda a transformar o placar em decisão.
Suas respostas ficam só neste navegador.
Levar para a conversa
Nada é enviado automaticamente. O texto abaixo é editável: tire ou acrescente o que quiser antes de copiar. Em quem você pretendia votar não entra, a menos que você mesmo escreva.
O que este teste prova — e o que não prova.
Prova que as propostas escritas, sozinhas, sustentam menos da polarização do que a gente imagina. Se o seu placar ficou apertado no topo, esse é o achado, não um erro.
Não prova quem deve ganhar. Ele mede atratividade de proposta no papel. Não mede se a pessoa entrega, se tem Congresso para aprovar, se a conta fecha, nem o histórico de quem assina — e essas coisas contam, contam legitimamente, e são exatamente o que você já sabia antes de abrir a página.
E mede o documento parado em 15 de agosto, data limite do registro. Campanha é coisa viva: posições mudam, temas novos entram, e há compromisso de palanque que não está escrito em plano nenhum. Os cartões sobre apostas, supersalários e anistia, na primeira página da revelação, são exemplos disso.